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A CASA-NINHO

“A casa alegre é um ninho vigoroso”, disse Bachelard. Portanto, numa noite de Ano Novo, quando mais uma vez estávamos reunidos na Casa, festejamos como nunca os novos tempos bons que voltávamos a viver, bebemos, fumamos, dançamos, transamos, queríamos celebrar a vida, Hic et Nunc. Dias depois dos festejos, Pequena Olga sonhou com dois homens que se davam as mãos e envoltos por uma luz intensa. No café, compartilhou com os presentes e, o que parecia devaneio, meses depois se confirmou como uma revelação: estava grávida.

 

A Casa estava em festa novamente: era a melhor notícia dos últimos anos, íamos ter nossa primeira criança. A Senhora H torcia para que fosse uma menina e que tivesse o nome de sua mãe, Bedecilda. Sapo e Pequena gargalhavam, És louca, mulher, imagine se vamos colocar o nome da tua mãe! A troco de quê? E riam. Riam muito. Toda a gestação do bebê se deu no nosso aconchego, ganharam muitos presentes e a expectativa era grande, maior ainda se tornou quando, pelo ultrassom, descobriram que se trataria de um menino. Nas festas, acompanhávamos pelos lindos vestidos de Pequena Olga o avanço da barriga, eram noites agradabilíssimas, aguardávamos com muita alegria a chegada da Crionça, como a Senhora H se referia aos pequenos. Era muito bem vindo, muito esperado por todos. Assim, a Casa não tardou a conhecer a criança que fora fecundada e gestada no ninho de nossas paredes: Daniel Bilenky Mora Fuentes.

 

 

"A Casa da Senhora H", romance em construção

Ph: Acervo Instituto Hilda Hilst

 

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