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MOMENTO DE AGIR!

(DIÁRIO DO ROMANCE 01/90) 21 de janeiro de 2020. MOMENTO DE AGIR! Reabro o arquivo do romance A Casa da Senhora H, ainda inacabado (sempre inacabado?), em processo (até quando?). De hoje a 21 de abril, data em que serão comemorados os 90 anos de nascimento de Hilda, há três meses para uma missão que me convoco neste instante: finalizar a última versão, editá-lo, publicá-lo e lançá-lo ao público.

Do resultado do prêmio Funarte/ Biblioteca Nacional até agora completaram-se 7 anos, é tempo de concluir. Cada vez mais acredito nos símbolos, nas narrativas e no imponderável sobre a vida. Tendo retornado ontem das férias, dei-me conta hoje desse tempo que me separa do início da criação do romance. Foi por meio de uma lembrança do facebook: em 21 de janeiro de 2013 estava na primeira residência artística na Casa do Sol quando, depois de uma epifania, o romance mudou de título, de O romance da Casa para A Casa da Senhora H.

Poderia ser hoje o dia de retornar ao livro? Todo projeto precisa de horizonte e esse terá o seu: 90 dias, a serem contados em retrospectiva a partir de agora, culminando nos 90 anos de Hilda, com o livro em mãos, concreto, como sempre seria. Sei que vou conseguir, chegou a hora da coragem vencer o medo.

Jogo o tarô, como fiz no primeiro post do Escrita em Progresso, e agora recebo a carta Às de Paus que vem “sugerir a necessidade de se atirar nas coisas com mais entusiasmo, sem medos, imprimindo tesão em tudo o que faz”. As primeiras linhas foram suficientes, mas ainda assim leio até o final, sinto o entusiasmo com os gregos percebiam, misturar-se à criação, saindo de si pelo êxtase, tudo isso merece um vinho.

A imagem da carta, por sua vez, me mostra Zeus no topo de uma colina envolto por montanhas nevadas. Em seu ombro direito há a pele de um carneiro (o velocino de ouro), na mão direita o globo terrestre e, na mão esquerda, uma tocha de fogo. A imagem impressiona, procuro seu significado e, segundo Isabel Mitchell, “É exatamente esta pele sagrada de Zeus, que o herói deveria obter e que serve de símbolo do vislumbre criativo que muitas vezes nos afasta da segurança do mundo convencional, em direção a um objetivo desejado, por caminhos quase sempre tortuosos e perigosos”. Citando Sharman-Burke & Greene, “Zeus simboliza dentro de nós a força criadora da imaginação, que não pode ser medida e que, no entanto, é responsável por todos os esforços e trabalhos concretos de nossas vidas”. Os deuses seguem ao lado.

Para que tudo dê certo, o primeiro prazo será o da redação final do romance: escolho 21 de fevereiro de 2020, daqui a um mês, antes do ano se tornar bissexto, e dois anos depois do último Diário do Romance. Organizo minha mesa de trabalho, preciso de tudo limpo, separo os livros que preciso à mão, os textos e pesquisas, começo a escrever este texto. Abro uma garrafa de vinho tinto e faço um brinde ao fim dessa jornada. Quem vem comigo?

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