#APaixãoDeTito no La Movida Microteatro

“A Paixão de Tito”, rito em homenagem à memória de Frei Tito em versão micropeça, estreia no La Movida Microteatro (Rua Marechal Deodoro, 308, Floresta, BH) e faz curta temporada de 7 a 17 de agosto em 3 sessões diárias (quarta e quinta a partir das 20h e sexta e sábado a partir das 21h). O solo de Gabriel Castro Cavalcante tem dramaturgia e encenação de Juarez Guimarães Dias e realização do Mutanti Laboratório de Criação. Os ingressos são adquiridos exclusivamente na bilheteria do La Movida Microteatro a R$ 10 (preço único). A classificação indicativa é para maiores de 14 anos. Mais informações: (31) 3204-9424 / 97547-0317.

 

SINOPSE

 

A paixão de Tito é uma peça de Gabriel Castro Cavalcante com dramaturgia e encenação de Juarez Guimarães Dias, realizada com a participação do público em cena, articulando performance e ritual em homenagem à memória de Frei Tito de Alencar Lima, cearense, militante, dominicano, preso, torturado e banido de seu país na Ditadura Militar. O solo propõe um cruzamento das trajetórias do artista, do frade e de Jesus, compartilhando com o público o vinho, o pão e a palavra desses cristãos, que reverberam de maneira iluminada e necessária nos tempos de hoje. A peça, que está em processo de criação para estreia em 2020, apresentará uma versão micro de 15 minutos no La Movida Microteatro.

A PEÇA (EM PROCESSO)

 

A dramaturgia de “A Paixão de Tito” parte de biografias e textos escritos por Frei Tito de Alencar Lima, além de canções, cartas, depoimentos em textos e áudios produzidos à época por ele, por seus companheiros de ordem e missão, dentre os quais Frei Betto, e por familiares. O solo é conduzido por Gabriel Castro Cavalcante, conterrâneo de Tito e com o qual se sente profundamente identificado na fé e na luta, e propõe um réquiem em homenagem à sua “paixão”. 

 

O trabalho apresenta uma estrutura de peça-ritual, cruzando elementos de rituais religiosos numa perspectiva ecumênica, tendo o teatro e a performance, numa perspectiva antropológica, como linguagens condutoras. Para narrar a saga de Frei Tito, cruzando a sua paixão com a do Cristo, o público participa de uma celebração-homenagem, que tem nos missais católicos e dos freis dominicanos a inspiração para a estrutura. A proposta conjuga um teatro narrativo-performativo, em que os espectadores atuam no acontecimento cênico, recuperando sentidos etimológicos de comunidade e comunicação (fazer algo em comum).

 

A proposta cenográfica versa sobre um tapete que poderá ser montado em espaços tanto fechados quanto abertos (teatros, centros culturais, salas, salões de associações comunitárias, espaços de convivência etc), onde o público será disposto ao redor do mesmo, recuperando rituais ancestrais, incluindo o teatro de arena. Sobre o tapete, também estarão dispostos poucos objetos que serão utilizados pelo ator-performer como livros, água, vinho, pão e acessórios de figurinos. 

 

CRIAÇÃO E MONTAGEM

 

O processo de pesquisa e criação de “A paixão de Tito” tem início com um desejo do ator e pesquisador Gabriel Castro Cavalcante de abordar o tema da identidade cultural, um grande rizoma se levarmos em consideração todas as ramificações que esse termo consegue abranger. O recorte se deve à condição de migrante do artista, que veio do Ceará para Minas Gerais em 2001 em busca de formação acadêmica em Teatro e experiências profissionais que transcendessem o mercado local muito centrado em comediantes e casas de humor. 

 

Em Minas desde então, Gabriel fixou residência e construiu sua trajetória artística de forma mais ampla e aprofundada, além do reconhecimento de afinidades e afetos. Há dezoito anos, quando foi aprovado no vestibular para o Curso de Direção Teatral da UFOP e mudou-se de Fortaleza para Ouro Preto, viu-se confrontado pela primeira vez com questões de origem, começando pela descoberta do “sotaque”, uma das principais características identitárias de um indivíduo, vendo-se “obrigado” a neutralizar seus modos de fala em detrimento de oportunidades de trabalho no Sudeste.

 

Desde a mudança do Ceará, o ator passou, sem muito se dar conta, por um processo de silenciamento de seus modos de fala, não encarado nesta perspectiva naquela época. Em 2018, na intenção de comemorar 20 anos de Teatro, decidiu investir profundamente no desejo de voltar a falar seu dialeto de nascença e pertença. É nesse contexto que voltou a ter contato, dessa vez de maneira mais amadurecida, com a biografia de Frei Tito, seu conterrâneo, e percebeu na trajetória e identidade dele um rico manancial, totalmente atemporal, para criar um trabalho autoral, onde a discussão acerca das “identidades” viesse à tona embasada em questões da ordem do dia, como a valorização dos lugares de enunciação e fala.

 

Partindo de uma profunda identificação com o percurso de Tito que, migrando do Nordeste para o Sudeste, ambos em busca de seus “sacerdócios”, ainda que de naturezas distintas, Gabriel Castro Cavalcante vê nesse trabalho a possibilidade real de aprofundar em discussões que perpassam por questões identitárias e os direitos humanos.

 

Em sua dimensão estética, o projeto insere-se dentro da pesquisa do dramaturgo e diretor Juarez Guimarães Dias em torno de espetáculos narrativos-performativos e partem de biografias e autobiografias para sua constituição dramatúrgica. A parceria com o ator Gabriel Castro Cavalcante teve início em 2016 na criação e produção da peça-jogo-festa #Criança, voltada para o público infantil. 

 

“A Paixão de Tito” é uma produção independente que ainda não conta com nenhum tipo de patrocínio, e teve sua criação inicial apresentada em julho de 2019 no projeto “Rascunhos de cena” do Galpão Cine Horto. 

 

FREI TITO DE ALENCAR LIMA

 

Frei Tito nasceu em Fortaleza, Ceará, em 14 de setembro de 1945. Foi militante da Juventude Estudantil Católica, aos 21 anos ingressou na Ordem dos Frades Dominicanos em Belo Horizonte. Estudou Filosofia e Sociologia na USP. Com a radicalização da situação política brasileira pós-AI-5, e junto a outros jovens dominicanos, engajou-se na luta contra o poder opressor em nome do Evangelho e dos direitos humanos. Em 4 de novembro de 1969 iniciou a sua terrível via crucis, tendo sido preso, torturado pelo DOPS, perseguido e banido de seu país. Em 10 de agosto de 1974, em Lyon, na França, seu corpo foi encontrado sob a copa de um álamo. 

 

JUAREZ GUIMARÃES DIAS 

 

Dramaturgo, Encenador, Professor do Departamento de Comunicação Social da UFMG e Co-coordenador do NEEPEC (FAFICH/ UFMG). É Doutor em Artes Cênicas (Unirio) com estágio-sanduíche na Universidade de Lisboa, Mestre em Literatura (PUC-Minas) e Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (Uni-BH). Atua também como dramaturgo e encenador e publica textos no seu blog "Escrita em progresso". É autor de "Narrativas em cena: Aderbal Freire-Filho (Brasil) e João Brites (Portugal)" (Móbile Editorial/ Faperj) e "O fluxo metanarrativo de Hilda Hilst em Fluxo-floema" (Annablume). No teatro, tem trabalhos reconhecidos por público e crítica como “A Obscena Senhora H”, “Freddie Rock Star – The Show Must Go On!”, "EuCaio", “Marilyn Monroe.doc”, “#tudodenós” e “Atrás dos olhos das meninas sérias”. 

 

GABRIEL CASTRO CAVALCANTE

 

Ator e Pesquisador, graduado em Teatro pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em 2007. Integrou entre 2006-2010 o elenco de projetos desenvolvidos no Galpão Cine Horto, dentre os quais o Oficinão com o espetáculo “Quando o peixe salta” (Dir. Rodrigo Campos e Fernando Mencarelli), Pé na rua com “O circo do lixo” (Dir. Eduardo Moreira e Chico Aníbal), Cena-espetáculo com “Av. Pindorama, 171” (Dir. Henrique Limadre), sendo este a origem do coletivo artístico Teatro 171. Colaborou entre 2010-2015 com o Teatro Oficina, Grupo XIX de Teatro, Teatro Kunyn, Laboratório de Práticas Performativas da USP e Cia. de Teatro Documentário, todos em São Paulo. Atualmente, pesquisa teatro narrativo e documentário, questões de identidade, infância e brincadeiras.

 

LA MOVIDA MICROTEATRO

 

La Movida Microteatro Bar é um empreendimento criativo de Belo Horizonte, que une teatro e bar. Inspirado em formato espanhol, o espaço conta com 3 salas para apresentações de micropeças com duração igual ou inferior a 15 minutos, com no máximo 3 atores em cena, para um público de até 15 pessoas. Cada micropeça se apresenta 3 vezes por noite, a R$ 10,00 reais o valor por sessão, com vendas exclusivas na bilheteria do local. O bar do La Movida oferece cerveja gelada, um cardápio de drinks e comidas especialmente pensado para que o público tenha uma ótima experiência de microteatro.

 

FICHA TÉCNICA

 

Criação e Pesquisa: Juarez Guimarães Dias e Gabriel Castro Cavalcante

Atuação: Gabriel Castro Cavalcante

Dramaturgia, Espaço Cênico e Encenação: Juarez Guimarães Dias

Figurinos: Tereza Bruzzi

Assistente de Figurinos: Edsel Duarte

Preparação Vocal: Ana Hadad

Trilha sonora original: Luiz Rocha

Voz em “O Retirante”: Marta Aurélia

Registro Fotográfico: Denis Gomes e Marcos Coletta

Registro Audiovisual: CPMT Galpão Cine Horto

 

SERVIÇO

 

“A Paixão de Tito” (Versão Micropeça) no LaMovida Microteatro

Solo de Gabriel Castro Cavalcante

Dramaturgia e Encenação de Juarez Guimarães Dias

 

De 7 a 17 de agosto de 2019

Quarta e Quinta (20h10, 20h50 e 21h30)

Sexta e Sábado (21h10, 21h50 e 22h30)

Duração: 15 min.

La Movida Microteatro

Rua Marechal Deodoro, 308, Floresta, Belo Horizonte – MG

Ingressos: R$ 10 (preço único) 

Informações:  (31) 3504-9424

Instagram: https://www.instagram.com/apaixaodetito/

Classificação indicativa: maiores de 14 anos

 

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